sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Uma tradição que vem da Idade Média




Pelo menos em um dia do ano, a maioria das pessoas deixa de lado as preocupações do dia-a-dia para lembrar de pessoas queridas que já se foram. É o Dia de Finados, celebrado em 2 de novembro, que normalmente remete o ser humano a um momento de reflexão. Mas quando surgiu o Dia de Finados? Como as pessoas trabalham a realidade da morte? Essas e outras perguntas são respondidas pelo psicólogo e professor de Teologia da ULBRA, Thomas Heimann. Leia a entrevista dele abaixo:

ACS/Imprensa - Porque e como surgiu o dia 2 de novembro como data de homenagem aos que já faleceram?

Thomas Heimann -
A Igreja Cristã, desde seu princípio, passou a elaborar um calendário litúrgico, no qual estabelecia datas para lembrar acontecimentos, festas e marcar personagens bíblicos importantes. Na Idade Média, por volta do séc XII, mártires e outras pessoas de vida exemplar também começaram a ser lembrados pela Igreja Católica. Esta recordação geralmente se ligava ao dia da sua morte. Como o número de santos aumentava significativamente, foi instituído, na Idade Média, o Dia de Todos os Santos (1º de novembro). Pouco tempo depois, foi também fixado o Dia de Finados (“Dia de todos os mortos”), celebrado no dia 2 de novembro. Finados, portanto, foi criado para lembrar todos os cristãos comuns falecidos, sendo um momento de reverenciar os entes queridos que já morreram.

ACS/Imprensa - Como foi tratado esse dia ao longo dos tempos?

Thomas - Posteriormente, após a Reforma Protestante, em todas as Igrejas Reformadas, foi extinto o culto aos santos, porém o costume de homenagear e visitar o túmulo dos falecidos já fazia parte da tradição cristã. Há, porém, algumas diferenças importantes nos ritos realizados em Finados. Católicos continuam a rezar pelos mortos e acender velas em favor das almas dos mesmos. Já para os protestantes a data serve apenas para lembrar com gratidão e carinho dos que partiram, bem como para proclamar a confiança no Deus da vida.



ACS/Imprensa - O dia de finados é exclusividade das religiões cristãs?

Thomas - A reverência aos mortos é prática comum em diversas culturas, desde os tempos mais remotos da humanidade. O que muda, nas diferentes religiões e culturas, é o simbolismo e o significado de cada rito e cerimônia. Em algumas regiões da África e especialmente na cultura oriental, a veneração aos mortos tem grande importância. Em algumas correntes budistas, o dia dos mortos é chamado de Bon Odori, dia no qual há procissões, músicas e desfiles de máscaras. No Xintoísmo japonês o culto aos kamis, espírito dos mortos, é realizado com oferendas de alimentos e objetos de agrado dos falecidos. De modo geral, os ritos, festas e cerimônias que lembram os mortos têm uma múltipla função terapêutica: podem servir como um resgate simbólico dos falecidos, têm uma dimensão comunial (mobiliza a comunidade) e também inscrevem a dimensão da esperança na sobrevivência da vida.

ACS/Imprensa - Antigamente, as pessoas ficavam dias ou meses de luto em homenagem à memória de um familiar. Hoje, essa reverência ocorre, na maioria dos casos, apenas no sepultamento e no Dia de Finados. Porque?

Thomas -
Pode haver várias razões. Vou me centrar apenas numa. A morte parece ter se tornado um tabu em nosso neurótico mundo moderno. Falar de morte é visto como uma atitude mórbida, incômoda, portanto tudo que a lembre precisa ser escondido ou reprimido. Phillippe Ariès, um dos mais eminentes estudiosos do tema morte, define isto como a morte invertida, isto é, a morte que se torna algo vergonhoso, um interdito social, tal como o sexo foi na era Vitoriana. Ou seja, se antigamente falar de sexo era obsceno e constrangedor, hoje tornou-se obsceno falar de morte.

ACS/Imprensa – Mas porquê?

Thomas –
Porque, para muitos a morte é, na realidade, a grande fonte da angústia humana, o medo mais primitivo da humanidade. De forma equivocada, o ser humano prefere não dar vez e voz a esta angústia, tornando-se, paradoxalmente, cada vez mais refém da mesma. Estudos apontam que, quanto mais as pessoas tentam afastar a realidade da morte de si, negando-se a falar dela, mais a morte acaba tendo poder sobre elas. É curioso, mas falar da morte com maior naturalidade, olhando de frente para ela, talvez seja o meio mais eficaz para superar a nossa angústia. Finados tem seu meu mérito por isso. Nos lembra de nossa finitude e de como devemos viver melhor a nossa vida.



ACS/Imprensa - Na maioria das vezes, vemos as pessoas lembrando da memória de seus entes com saudade e tristeza. Não deveria ser o contrário? Lembrar que o familiar ou amigo aproveitou sua existência terrena?

Thomas -
A experiência da morte e luto sempre será única e singular para cada indivíduo. Como cada um vai lidar com a perda de um ente querido dependerá de inúmeros fatores: forma da morte (trágica, súbita, após longa doença...) tipo de relação que havia entre o falecido e o enlutado (dependência, conflito, culpa,...), idade do falecido (criança, jovem ou idoso), entre outras variáveis. Por tudo isso a morte pode despertar um turbilhão de sentimentos, por vezes contraditórios: de um lado, podem brotar sentimentos como tristeza, angústia, aflição, saudade, culpa, ira, entre outros. De outro lado, podem brotar sentimentos de alívio, serenidade, confiança e esperança. É preciso que não nos coloquemos numa posição de julgamento, mas aprendamos a compreender a diversidade de sentimentos que a perda e morte evocam nas pessoas.

ACS/Imprensa - Qual a grande mensagem de Finados?

Thomas -
Além de enfatizar que a morte não é o fim para aquele que tem fé em Deus, gosto de uma frase de Rubem Alves que diz: “Que sabedoria nos ensina a morte? É simples. Ela só diz duas coisas. O Tempus fugit, o tempo que passa e não há forma de segurá-lo. E logo a seguir, conclui: Carpe diem, colhe o dia como quem colhe um fruto delicioso, pois esse fruto é dádiva de Deus”.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Comunicação Social na Feira do Livro de POA



O lançamento do livro Revista Bravo! – desenho, design e desígnios na perspectiva dos estudos da Cultura Visual, do professor de Comunicação Social da ULBRA, Bento de Abreu, ocorre nesse domingo (1º/11) na 55ª Feira do Livro de Porto Alegre. A sessão de autógrafos está marcada para às 14h15 na Praça da Alfândega.

Bento afirma que o seu interesse pelo conteúdo das revistas despertou bem cedo. Segundo ele, as capas influenciam os processos de aprendizagem, na medida em que veiculam valores estéticos em culturais e, por isso, constroem modos de ver. Sua análise a respeito das capas da Bravo! serviram de tese para a sua dissertação de mestrado.

“Escolho a revista por sua importância nos meios de comunicação de massa, porque são fruto das técnicas de comunicação e porque narram os diversos aspectos da vida em sociedade”, comenta. Em relação a Bravo!, importante publicação sobre o segmento artístico, Abreu trabalhou os conceitos de cultura apresentados na publicação.

Bento é natural de Uruguaiana, Mestre em Educação, Especialista em Expressão Gráfica, ambos pela Ufrgs, e graduado em Artes Visuais pelo Instituto Metodista Bennet-RJ. Atua como docente no ensino superior desde 1996 em cursos de Design e Comunicação Social nas disciplinas relativas à cultura visual e ao design gráfico. Também exerce a docência em oficinas de criatividade visual gráfica em outras instituições de ensino.

(texto em parceria com a AGEX/ULBRA)

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Caravana do Enade desembarca em Gravataí



A Caravana do ENADE desembarcou em mais um campus da ULBRA para orientar os alunos sobre o exame. Composto pelo diretor da Área de Ciências Sociais Aplicadas, Sérgio Lima (foto), diretor da Área da Saúde, Daniel de Brum, e os assessores pedagógicos da PROGRAD, Marjie Bopp e Rossano dal Farra, o grupo esteve na ULBRA Gravataí conversando com os estudantes. A prova ocorre no dia 8 de novembro e convoca, principalmente, alunos da área de Ciências Sociais Aplicadas.

Sérgio Lima apresentou uma visão geral do processo de avaliação e da importância do ENADE para o curso e para o aluno, já que este leva a nota em seu diploma de graduação. Neste sentido, o desempenho na prova torna-se fundamental. Comentou que algumas empresas já valorizam a avaliação do ENADE na contratação de seus estagiários e profissionais.



Marjie abordou o formato da prova, o peso das questões, como ela é composta, o provável conteúdo do exame (temas atuais, contemporâneos) e a importância do preenchimento do questionário socioeconômico. Rossano, por sua vez, deu ênfase ao raciocínio na resolução da prova, exemplificou sua fala resolvendo algumas questões de provas anteriores em conjuntos com a platéia. Daniel reforçou os detalhes, o dia da prova, a importância da pontualidade para evitar transtornos e a documentação.

Todos foram muito enfáticos em afirmar que este é um momento muito importante para o aluno e para o curso. É um trabalho conjunto, pois a avaliação é do todo. Lembraram também que a prova tem quatro horas de duração e que esse período deve ser muito bem aproveitado.

CURSOS DA ÁREA COM PROVA NESSE ANO

Administração, Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Comunicação Social, Design, Direito, Psicologia, Secretariado Executivo e Turismo

Cursos Superiores de Tecnologia em: Design de Moda, Gestão de Recursos Humanos, Gestão Financeira, Gestão de Turismo, Marketing, Processos Gerenciais
(texto em parceria com a Cristiane Testa - ACS/Gravataí)