sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Do salão de beleza para os gabinetes



Organização e discrição são qualidades natas que toda secretária executiva deve ter. Juliana Balzan se encaixa nesse perfil, tanto que antes mesmo de ingressar na Universidade fez um “estágio” com a própria mãe. No salão de beleza, a hoje aluna de Secretariado Executivo Trilíngue, cuidava de todos os detalhes para que o negócio decolasse. A mãe queria que ela continuasse como seu braço-direito. Entretanto, Juliana decidiu ampliar horizontes e veio estudar na ULBRA, onde hoje preside do Centro Acadêmico de sua graduação.

Quando questionada do porquê estudar Secretariado, responde de pronto e convicta: “Amo a profissão”. Nada surpreendente para quem, já no nível médio buscou o curso de Técnico em Secretariado e trabalha na área há alguns anos. “As secretárias se envolvem e se preocupam com o sucesso da empresa. Eu precisava viver isso”, afirma. Hoje, Juliana atua em uma grande empresa, na qual inclusive o seu chefe afirmou desconhecer todo o potencial de uma Secretária Executiva. Hoje ele lhe dá “carta branca” para muitas tarefas estratégicas.



Segundo ela, ainda é comum seu diretor perguntar até onde pode explorar os seus conhecimentos acadêmicos. “O curso de Secretariado Executivo aqui na ULBRA vem assumindo características de gestão. Não se admite mais uma profissional sem perfil empreendedor”, comenta. De acordo com Juliana, o mercado está muito bom para quem decidir por essa carreira, pois até as empresas de menor porte têm contratado.

A experiência frente ao CA tem sido muito interessante. Responsável por fazer o “meio de campo” entre os alunos e a coordenação, o Centro Acadêmico atua em parceria com esses dois pólos, promovendo eventos e atividades extraclasse. “Organizamos também o CA News, informativo do curso com dicas, novidades e atualidades ligadas à nossa profissão”, salienta.
Juliana não esqueceu o salão de beleza. Vai sempre lá quando quer retocar o visual...

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Exemplo que vem do outro lado dos Andes



O IDH, índice que mede o grau de desenvolvimento humano, coloca o Chile como melhor nação da América Latina e Caribe. Dessa forma, o país do polêmico ditador Pinochet, dos vinhos que rivalizam com os franceses e da cordilheira dos Andes torna-se referência, quando precisamos saber se algo vai bem por aqui. O formando de Ciências Políticas da ULBRA, Sávio Menna Barreto, aproveitou a participação no XXI Congresso Mundial de Ciência Política, em Santiago, para pesquisar a opinião e participação dos adolescentes na vida política do Chile. De volta ao Brasil, usou as mesmas ferramentas de investigação em estudantes do Ensino Médio de Canoas e traçou um paralelo. O resultado aponta certa acomodação da juventude brasileira.

Para a pesquisa no Chile, Sávio visitou o Colégio Luterano Concórdia de Valparaíso, importante cidade litorânea à beira do Pacífico, onde está instalado o poder legislativo (Câmara e Senado Federal). Quarenta e nove jovens do Ensino Médio responderam questões sobre conhecimento, interesse, participação e perspectiva de futuro na política chilena. “Eles são estimulados a participar ativamente da história de seu país, pois a Ciência Política é disciplina que faz parte do currículo regular de todas as escolas”, comenta Sávio. Entretanto, por aqui a coisa ainda é um pouco diferente...

Isso porque Sávio aplicou a mesma pesquisa em 215 alunos de uma escola privada de ensino médio em Canoas. De acordo com ele, a desinformação e o descrédito nos governantes tornam o jovem brasileiro um “rebelde sem causa”, ou seja, acredita que existe algo errado, mas não sabe bem o que é. Em vez de procurar informação, ele prefere apenas se “rebelar”. “Os brasileiros que pesquisei demonstram interesse pela política, mas ao mesmo tempo apresentam certa acomodação na hora de se posicionar. Já o chileno não tem tanto interesse, mas acredita que só com a participação poderá construir um país melhor”, comenta. De acordo com Sávio, o chileno se diz satisfeito com a política e a democracia, além de ter mais esperanças no futuro do país.



Para o formando da ULBRA, a acomodação do Brasileiro pode ser exemplificada, através da baíxissíma procura por iniciativas de educação política, como o estágio “Visita de Curta Duração”, oferecido pela Câmara dos Deputados. “O RS é o Estado que menos envia estudantes para o curso. Para ir, basta se candidatar por meio do gabinete de qualquer deputado federal gaúcho”, explica Sávio. No estágio Visita, os jovens vão a Brasília com despesas pagas para conhecer a estrutura da Câmara e do Senado, saber como funciona o regimento, como se elabora um projeto e o que obstrui uma votação, entre outras características do dia a dia do legislativo. Ele mesmo participou e disse que a experiência é muito importante na formação da consciência política do jovem. O curso tem duração de uma semana.

Sávio analisa a possibilidade de ampliar a sua pesquisa, por meio de um mestrado. Para ele, a confiança do jovem e do brasileiro na política está atrelada à educação com bases mais sólidas. “A juventude aprende desde cedo que vivemos no país do jeitinho, que nada mais é do que a corrupção atenuada. Temos que acabar com a filosofia do rouba mas faz”, afirma. A dúvida é saber quem vai dar o primeiro passo na busca pela educação de mais qualidade no Brasil. O povo participando e exigindo ou o político saindo da zona de conforto e trabalhando por essa mudança? Algumas aulas com o Chile poderiam ajudar...

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Receita caseira para a segurança da ULBRA



Quem já foi ao campus da ULBRA, em Canoas, sabe que ele se encaixa muito bem no conceito de “minicidade”. Além de toda a estrutura educacional, aqui existem livrarias, bancos, agencia de viagens, hospital, restaurantes, apart-hotel, entre outros serviços. Mas como proteger todo o complexo, que abriga diariamente mais de 20 mil pessoas? Esse foi o tema proposto pelos formandos do Curso Superior de Tecnologia em Gestão de Segurança Privada, para uma monografia (TCC) em conjunto com sugestões para auxiliar a segurança do campus. A pesquisa, que está em fase final, vai ser apresentada à reitoria no início do ano que vem.

Em vez de cada formando construir um TCC diferente, surgiu a idéia de que todos concentrassem suas pesquisas e análises em cima de um plano de segurança para a Universidade. “Pesquisar qualquer empresa particular seria algo comum. Então pensamos em aplicar o que aprendemos em um projeto para a própria instituição que está nos formando”, comenta Dulci Borsatto. Segundo ela, todos os alunos já atuam na área, o que facilitou na elaboração do trabalho.

A pesquisa partiu de uma análise de dados sobre a criminalidade em Canoas e, mais especificamente, do dos bairros próximos à ULBRA. Para isso, contaram com a Secretaria Estadual de Segurança Pública, que lhes forneceu estatísticas sobre os diferentes tipos de delitos que ocorrem na região. “Estudamos a história do município e dos bairros próximos e as comparamos com estatísticas de criminalidade para, a partir daí, começar a pesquisa de campo”, comenta Leandro Moreira.



O próximo passo foi estudar a planta do campus e verificar in loco os seus limites, pontos de saída, possíveis rotas de fuga e fragilidades em geral. Os principais espaços da Universidade foram checados e catalogados em um acervo de fotos. “Nosso trabalho é acadêmico e não estamos aqui para fazer juízo crítico sobre a atual política de segurança da ULBRA. Queremos apenas dar a nossa contribuição para a Universidade, visando a proteção de todos no campus”, afirma o coordenador da graduação, Leonel Carivali (foto acima). Segundo ele, a proposta a ser apresentada à reitoria se baseia na máxima proteção à comunidade acadêmica, mas com custo operacional reduzido.

Isso fica evidente quando os alunos abrem a planta baixa do campus e apresentam as alternativas. Para uma universidade que tem o maior movimento no turno da noite, câmeras com tecnologia térmica seriam ideais, de acordo com os alunos. No entanto, elas têm custo elevado. “Câmeras de canhão infravermelho se adequariam muito bem às necessidades e são muito mais baratas”, comenta Dulci. Para ela, se os gestores de segurança conhecerem bem o campus e suas vulnerabilidades, poderão otimizar o uso desses equipamentos e baratear ainda mais o custo.


O grupo também analisa outros dispositivos e estratégias que podem ser implementados. Mas, além de projeto e material, os alunos ressaltam a importância da qualificação dos recursos humanos. “Os agentes de segurança tem de ser treinados para as necessidades especificas da ULBRA. Tem que conhecer a instituição e saber o que fazer na hora de agir”, comenta Leandro. De acordo com os estudantes, a segurança de uma instituição deve ser customizada e não apenas uma repetição de técnicas genéricas.

Essa monografia em conjunto será a primeira de outras que virão nos próximos semestres, segundo o professor Carivali. “A segurança de uma Universidade como a nossa envolve diferentes aspectos e é muito mais ampla do que se pensa. Queremos aprofundar a pesquisa e sugerir mais alternativas para a proteção do nosso aluno, professor e funcionário”, afirma.



ETAPAS DA PESQUISA E IMPLANTAÇÃO

1- Coleta de dados sobre a segurança em Canoas e bairros próximos à ULBRA;
2- Pesquisa de campo;
3- Análise de risco dos pontos vulneráveis;
4- Qual equipamento a ser utilizado e onde será instalado;
5- Quantificação do componente humano a ser utilizado;
6- Qual treinamento deveria ser aplicado a esse componente humano
7- Implantação do primeiro estágio do projeto (áreas de maior risco);
8- Implantação do segundo estágio do projeto (áreas de risco médio - alto);
9- Implantação do terceiro estágio do projeto (áreas de risco mais baixo);
10- Auditoria e correções

ALUNOS ENVOLVIDOS NA PRIMEIRA ETAPA DE PESQUISA E PROJETO

Dulcinéia Borsatto, Edner de Lima, Evandro Gatringer, Fabiano da Silva, Ivan J. S. Diana, Leandro S. Moreira, Roberto Boettier, Vanderlei Rubim e Vinícius Benfica.