sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Ricardo Macedo analisa Teologia da ULBRA



A graduação de Teologia, do campus Canoas, convidou o pró-reitor de Graduação Ricardo Macedo para um encontro na manhã dessa quinta-feira. Proposta pela coordenação do curso, professores reuniram-se durante dois dias para uma imersão em estudos e discussões acerca do ensino da Teologia e o papel do professor. Ricardo Macedo falou sobre as diretrizes curriculares, a importância de se conciliar humanismo com tecnologia e os padrões pedagógicos da ULBRA.

De acordo com o pró-reitor, o professor não pode ser apenas um transmissor de informações. Macedo salienta que os docentes têm de ser conscientes do seu papel na sociedade. “Os professores devem conhecer as diretrizes, respeitar as diversidades e ofertar o ensino dentro da realidade atual”, ressalta. De acordo com ele, a Universidade tem o compromisso de garantir a aquisição de competências profissionais e valores sociais aos seus alunos. O conhecimento, segundo ele, se baseia em quatro pilares: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver junto e aprender a ser.


Macedo aproveitou a ocasião para destacar a importância do encontro promovido pelo curso de Teologia. “Esse é um momento maravilhoso para mim. Fiquei muito feliz, quando soube que a graduação está debatendo suas questões e me pediu para participar”, comentou. O pró-reitor disse que a Teologia deve ser cada vez mais interdisciplinar e continuar avançando no relacionamento com todos os segmentos da sociedade.

Para ele, o curso não deve ser visto como outras graduações, como História ou Geografia, pois contém, além das características acadêmicas, elementos confessionais. Macedo ainda destacou a organização da Teologia da ULBRA e solicitou uma maior participação nas discussões nacionais sobre a regulamentação do curso no Brasil.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Violência doméstica se combate com educação



Foi aos onze anos que Viviane Schacker Militão ouviu alguém dizer aquilo que ela já havia traçado como objetivo, mas guardava em seu inconsciente. Em meio a um bate-papo, a professora Ivete Menetrier (que até hoje faz parte do seu rol de amigas) desferiu: “Tu vais ser professora, guria”. Não deu outra. Atualmente, Viviane é profissional do Direito e docente da ULBRA Canoas, além de profunda estudiosa da Lei Maria da Penha. Sobre a violência doméstica, infelizmente cena comum em nosso país, ela entende que a falta de investimento na educação pode ser um dos principais agentes causadores.

Viviane acredita que com a inclusão de disciplina de Cidadania no ensino fundamental as crianças poderiam tomar conhecimento de seus direitos e deveres básicos. Seria uma alternativa na tentativa de minimizar as situações que corriqueiramente vivenciou, quando atendia no Núcleo de Atendimento as Vitimas de Violência da ULBRA (NAVIV). “O trabalho do Núcleo é realizado por professores e alunos dos cursos de Direito e Psicologia com o intuito de trabalhar as partes emocional e legal decorrentes da vítima ou do agressor”, explica. De acordo com ela, entre alguns relatos, recorda de um em que a vítima chega ao ponto de achar que “mereceu” apanhar do (a) companheiro (a). Segundo a professora, o número de homens que procuram a justiça para se queixar de violência doméstica, mesmo que timidamente, tem crescido também.

Viviane ingressou na ULBRA como funcionária do Curso de Odontologia aos 17 anos. Em seguida, tornou-se aluna do Curso de Direito e no decorrer do curso exerceu trabalho voluntário no Serviço de Atendimento Jurídico da ULBRA (SAJULBRA), destinado a pessoas de baixa renda. Algum tempo depois, passou a ser assessora administrativa na Universidade. Concluiu sua Pós-graduação em Direito de Família e tornou-se professora da Universidade.


CACHORRO-QUENTE PARA A CRIANÇADA - O interesse por questões com forte apelo social parece estar enraizado em Viviane. Ao ser perguntada sobre a passagem que mais lhe marcou em sua trajetória na ULBRA é enfática: “Foi no Natal de 2007, quando a ULBRA fez uma campanha de arrecadação de brinquedos junto aos professores e funcionários da Universidade. É gratificante ver o sorriso da criança que você adotou”, comenta. Além das doações, a professora comemora o envolvimento de alunos e professores, em campanhas solidárias. No mais recente Natal, por exemplo, se vestiram de papai Noel e fizeram cachorros-quentes para a criançada no bairro Mathias Velho.

Aos 30 anos, mesmo com pós-graduação e alguns anos de advocacia, Viviane sabe que ainda tem muito a percorrer no caminho do Direito. A precocidade, no entanto é um facilitador, já que vivenciou muita coisa que seus contemporâneos ainda vão ter que passar. Hoje, divide as atividades na ULBRA com o escritório no qual atende como advogada em questões previdenciárias. “O Direito Previdenciário é uma área excelente de trabalho também e, além disso, permite que em determinados casos se utilize os conhecimentos adquiridos na área de família”, justifica. Contudo, é em frente ao quadro negro onde se sente realizada.

E essa paixão também surgiu precocemente, pois colaborou com os estudos dos irmãos, quando ainda pequena sua mãe lhe presenteou com um mini quadro negro. Um deles, inclusive, está se formando bacharel em Direito pela ULBRA e Viviane se diz orgulhosa por ter participado de sua formação. “O professor deve ter humildade. Deve ensinar e saber aprender. A sala de aula também é uma troca de experiências”, afirma. Se depender de Viviane, ela continuará lecionando por muitos anos ainda, pois acredita que quando Direito e educação andam juntos, está promovida a cidadania. E essa lição ela já tinha em mente. Antes mesmo dos onze anos de idade.

Osmar Stuker e os números que atravessam os anos



Quando perguntam sobre as passagens que mais lhe marcaram na vida acadêmica, Osmar Stuker lembra de um aluno relapso, totalmente desligado do ambiente acadêmico. O seu desinteresse e as atitudes anticonvencionais dificilmente o levariam a subir no palco na cerimônia de formatura. No entanto, o rumo dessa história mudou e com o passar do tempo ele se transformou em um dos principais alunos de Ciências Contábeis da ULBRA Canoas. No dia, antes da colação de grau, de maneira inusitada, a mãe do rapaz visitou o professor.

Ela veio agradecer à Universidade pela educação dada ao filho. “O pai tinha um escritório de contabilidade e disse que ia largar tudo na mão dele. O peso da responsabilidade o assustou e ele passou a se interessar mais pelas matérias. Nossa tarefa foi dar-lhe apoio”, comenta o coordenador do curso de Ciências Contábeis. Essa é apenas uma de inúmeras histórias vividas ao longo de 34 anos como docente da ULBRA. Hoje ele se diz realizado com a profissão que escolheu.



Isso porque ao sair do lugarejo de Xiniquá, zona rural do município de São Pedro do Sul, para estudar e morar no internato (hoje essa modalidade de moradia não existe mais) do Colégio Concórdia em Porto Alegre, nem pensava no que queria ser na vida. Era o ano de 1957 e, assim como vários de sua geração, saiu jovem do interior em busca de melhores oportunidades na capital. “Naquela época, quem quisesse se dar bem no mercado deveria ter o curso de datilografia e ter um diploma de curso superior. Na época, a contabilidade era a preferida, pois permitia trabalhar e estudar”, ressalta. Ali começava a sua longa relação com a profissão.

De lá para cá trabalhou como contador em empresas e também no serviço público (passou no concurso para auditor do Tribunal de Contas do Estado no início da década de noventa). O amor pelo giz e quadro negro começou a florescer em 1973, quando fora contratado para lecionar no curso Técnico em Contabilidade do Colégio Cristo Redentor, em Canoas. Foi um trampolim para a docência na faculdade que recém surgia no município. Osmar se orgulha de ser professor da primeira turma de Ciências Contábeis da ULBRA, que se formou em 1978. “Amassei barro com a sola do sapato onde hoje é esse enorme campus de Canoas”, comenta.



CONTABILIDADE INTERNACIONAL - De lá para cá, o ensino e o perfil do aluno de Ciências Contábeis mudaram bastante. A globalização e o mercado cada vez mais competitivo são apontados por ele como transformadores da profissão. “Temos que pensar em uma contabilidade internacional, na qual as leis e metodologias sejam parecidas em todos os países. Hoje você elabora um balanço que aqui no Brasil tem um resultado e nos EUA outro bem diferente”, diz. Osmar e os professores da ULBRA criaram disciplinas voltadas à contabilidade internacional que já são aplicadas no campus Canoas.

Mas, para o professor, a unificação também deve ocorrer “dentro da nossa aldeia”. De acordo com Osmar, atualmente existem regras distintas para a contabilidade em órgãos públicos e na iniciativa privada brasileira. “A lei que rege a contabilidade pública é muito boa, no entanto estudos estão sendo realizados para a unificação dos sistemas da contabilidade geral e contabilidade pública. Isso deve ocorrer em a partir de 2012”, destaca.


MULHERES NA LINHA DE FRENTE - Quanto ao aluno, Osmar se diz desapontado com a falta de engajamento. A impaciência, segundo ele, não permite que o estudante possa extrair tudo o que professores e a universidade têm a oferecer. Além disso, a proliferação de faculdades com qualidade duvidosa despeja a cada semestre dezenas de bacharéis com qualificação inferior, nivelando por baixo a profissão. “Acredito que isso não é exclusividade das Ciências Contábeis. Diversas graduações devem passar por problemas semelhantes”, ressalta.

A participação feminina também tem crescido de maneira substancial, de acordo com o professor. “Considerando os alunos que colaram grau nos últimos quatro anos temos 62% de mulheres e 38% de homens. Antigamente era o contrário. Hoje, a mulher está muito mais interessada em estudar, principalmente para fazer carreira e na área contábil e em especial para ingressar no serviço público”, afirma. Osmar Stuker está feliz com o resultado de anos de dedicação às Ciências Contábeis. E nem precisa mais uma mãe vir agradecer.