
O Serviço Social é um dos aliados contra as patologias sociais, principalmente aquelas que afetam a criança e o adolescente. Nesse sentido, o professor da graduação na ULBRA Canoas, Honor Neto, reuniu os artigos de seus alunos e os colocou em uma obra que tem lançamento marcado para esse sábado na Feira do Livro de Porto Alegre. Práticas de Pesquisa em Serviço Social terá a sua sessão de autógrafos às 15h 30 na Praça da Alfândega. Leia abaixo a entrevista com o professor Honor:
ACS/Imprensa - Qual e como foi produzido o seu conteúdo?
Honor Neto - Trata-se de uma coletânea de artigos produzidos por alunos do curso de Serviço Social, fruto de trabalhos realizados para as disciplinas de Pesquisa em Serviço Social 1 e 2, ministradas por mim. A temática chave é a proteção da criança e do adolescente. São onze artigos no total, sendo que sete abordam as temáticas do trabalho infantil, abuso sexual, da formação para o mercado de trabalho, dos processos de disputa de guarda, das crianças abrigadas, da hospitalização de crianças, entre outros. Ainda publicamos mais quatro artigos com temas diversos (sepultamento gratuito, idosos institucionalizados, o RAP como agente no processo de formação e o papel do assistente social em pesquisas de satisfação no âmbito hospitalar)
ACS/Imprensa - Quais são as causas desses abusos?
Honor - Trata-se de uma patologia grave, penso que de difícil solução. A crescente erotização e, portanto, a adultização de crianças, parece incidir sobre essa realidade. Reporto-me aqui ao autor americano Neil Postman, que defende a tese de que a infância, como um período a ser protegido, encontra inúmeras barreiras na sociedade pós-moderna e está desaparecendo. Ou seja, o adulto de uma maneira geral não identifica mais a infância como um período especial, fato que nos reporta à Idade Média. Há outros inúmeros fatores, mas a cultura familiar e a impunidade incidem sobre essa realidade.
ACS/Imprensa - Qual e como foi produzido o seu conteúdo?
Honor Neto - Trata-se de uma coletânea de artigos produzidos por alunos do curso de Serviço Social, fruto de trabalhos realizados para as disciplinas de Pesquisa em Serviço Social 1 e 2, ministradas por mim. A temática chave é a proteção da criança e do adolescente. São onze artigos no total, sendo que sete abordam as temáticas do trabalho infantil, abuso sexual, da formação para o mercado de trabalho, dos processos de disputa de guarda, das crianças abrigadas, da hospitalização de crianças, entre outros. Ainda publicamos mais quatro artigos com temas diversos (sepultamento gratuito, idosos institucionalizados, o RAP como agente no processo de formação e o papel do assistente social em pesquisas de satisfação no âmbito hospitalar)
ACS/Imprensa - Quais são as causas desses abusos?
Honor - Trata-se de uma patologia grave, penso que de difícil solução. A crescente erotização e, portanto, a adultização de crianças, parece incidir sobre essa realidade. Reporto-me aqui ao autor americano Neil Postman, que defende a tese de que a infância, como um período a ser protegido, encontra inúmeras barreiras na sociedade pós-moderna e está desaparecendo. Ou seja, o adulto de uma maneira geral não identifica mais a infância como um período especial, fato que nos reporta à Idade Média. Há outros inúmeros fatores, mas a cultura familiar e a impunidade incidem sobre essa realidade.
ACS/Imprensa - Os abusos contra a criança (trabalho infantil, pedofilia, etc) vem ganhando espaços cada vez maiores na mídia. Aumentaram os casos ou a sociedade está recém dando conta dessas patologias sociais?
Honor Neto - Sem dúvida, o advento das novas tecnologias de informação e comunicação (NTIC) traz maior visibilidade ao tema e a mídia tem um papel importante na formação das pessoas e da opinião pública de uma maneira geral. Isso traz maior e melhor esclarecimento sobre esse tema historicamente velado. As mídias criam fatos sociais, o que tende a aumentar o número de denúncias, tornando as pessoas mais atentas e vigilantes. Também porque abre novas formas de manifestação, como o próprio disque-denúncia. No entanto, as mídias também tornam as ações de um pedófilo mais extensivas, pois eles passam a ter um universo de vítimas em potencial muito maior, além de novas estratégias de assédio e de anonimato. A internet é um exemplo disso. Além do que as mídias e a lógica da sociedade do consumo incentivam cada vez mais a erotização precoce de crianças. Não saberia lhe dizer se os casos de abuso estão aumentando, até porque grande parte deles ocorre no âmbito familiar e as estatísticas devem ser imprecisas. Porém, esses aspectos que apontei anteriormente podem ser considerados...
ACS/Imprensa - Como o curso de Serviço Social pode contribuir para dirimir essas patologias?
Honor - Há inúmeros programas de atendimento e intervenção por parte dos cursos de Serviço Social da ULBRA, cujo trabalho desenvolve-se necessariamente de forma interdisciplinar. Posso citar o Programa Sentinela, em especial o do campus Gravataí, que conheço bem por ser objeto de pesquisa de um dos artigos, e o trabalho desenvolvido junto ao CRAI (Centro de Referência no Atendimento Infanto Juvenil) que atende crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. Há também o Serviço de Proteção Criança (SPC ULBRA) na Vila do IAPI, onde os abusadores também são atendidos e encaminhados para tratamento. Ambas as temáticas são pesquisadas e analisadas na coletânea que estamos lançando e algumas alunas e ex-alunas trabalham hoje diretamente com esse tema. A negligência e a omissão da família incidem sobre essa realidade, cujo conceito de Silent Partner (parceiro silencioso) contribui para entendermos, sobretudo, o papel da mãe nesse contexto. Trabalhar na prevenção e no fortalecimento familiar são estratégias eficazes, rompendo com a cultura familiar do abuso.
Honor Neto - Sem dúvida, o advento das novas tecnologias de informação e comunicação (NTIC) traz maior visibilidade ao tema e a mídia tem um papel importante na formação das pessoas e da opinião pública de uma maneira geral. Isso traz maior e melhor esclarecimento sobre esse tema historicamente velado. As mídias criam fatos sociais, o que tende a aumentar o número de denúncias, tornando as pessoas mais atentas e vigilantes. Também porque abre novas formas de manifestação, como o próprio disque-denúncia. No entanto, as mídias também tornam as ações de um pedófilo mais extensivas, pois eles passam a ter um universo de vítimas em potencial muito maior, além de novas estratégias de assédio e de anonimato. A internet é um exemplo disso. Além do que as mídias e a lógica da sociedade do consumo incentivam cada vez mais a erotização precoce de crianças. Não saberia lhe dizer se os casos de abuso estão aumentando, até porque grande parte deles ocorre no âmbito familiar e as estatísticas devem ser imprecisas. Porém, esses aspectos que apontei anteriormente podem ser considerados...
ACS/Imprensa - Como o curso de Serviço Social pode contribuir para dirimir essas patologias?
Honor - Há inúmeros programas de atendimento e intervenção por parte dos cursos de Serviço Social da ULBRA, cujo trabalho desenvolve-se necessariamente de forma interdisciplinar. Posso citar o Programa Sentinela, em especial o do campus Gravataí, que conheço bem por ser objeto de pesquisa de um dos artigos, e o trabalho desenvolvido junto ao CRAI (Centro de Referência no Atendimento Infanto Juvenil) que atende crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. Há também o Serviço de Proteção Criança (SPC ULBRA) na Vila do IAPI, onde os abusadores também são atendidos e encaminhados para tratamento. Ambas as temáticas são pesquisadas e analisadas na coletânea que estamos lançando e algumas alunas e ex-alunas trabalham hoje diretamente com esse tema. A negligência e a omissão da família incidem sobre essa realidade, cujo conceito de Silent Partner (parceiro silencioso) contribui para entendermos, sobretudo, o papel da mãe nesse contexto. Trabalhar na prevenção e no fortalecimento familiar são estratégias eficazes, rompendo com a cultura familiar do abuso.

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